quinta-feira, 22 de maio de 2014

O Birkenau que Hitler, afinal, não queria...
























Quando aqui escrevo, raramente sei se, quem está desse lado, quer ler sobre o destino, sobre a forma de lá chegar ou os porquês de lá ir. E como não sei, opto por escrever o que me apetece, ou vá, aquilo que eu gostaria de ler.
Esta viagem tinha como destino o campo de concentracão na vila (ou será cidade?) de Oswiecim (ou Auschwitz como os alemães traduziram e eternizaram).
Varsóvia apareceu porque era a forma mais barata de chegar vindo de Gotemburgo e Cracóvia, a paragem natural dada a sua proximidade do campo.
Sobre Varsóvia não me alongarei muito. O relato de 2008 permanece actual. Apenas uma referência às obras um pouco por todo o lado...há esperanca para que Varsóvia fique menos feia.
Cracóvia é claramente de outro campeonato. Mais bonita, menos destruida, mais original. Tem encanto, história, referências. Uma cidade que só por si (e pelos arredores) justifica uma viagem à Polónia.
A cidade velha com os seus castelos, catedrais e pracas seculares. O bairro judaico, a fábrica de Schindler, as sinagogas, as basílicas. Gostei muito de Cracóvia e gostava de ter mais tempo e disponibilidade para a explorar com calma.
Esta não foi uma viagem normal. Não fui sozinho, com familiares ou um pequeno grupo de amigos. A pesquisa desta vez serviu para levar um grupo de pessoas, algumas que já conhecia, outras não, que tal como eu emigraram para a Suécia, algures na vida. Um grupo de 18 pessoas, com idades e feitios diferentes, que me fizeram passar por uma experiência nova no que a viagens diz respeito.
Nem sempre é fácil conciliar gostos, desejos e opiniões. Raramente se agrada a todos e, infelizmente, falta de paciência é claramente um dos meus piores defeitos, ainda assim, no fim da viagem, fiquei com uma sensacão boa. Gostei de os ter conhecido e até já tenho saudades da simpática alentejana que no centro de Cracóvia esperava por um arroz de pato e casqueiro alentejano, a jovem de Gemeses que queria Vaflas para sobremesa ou a miudagem que falava com sotaque de Esposende sem nunca lá ter vivido. Foi bom ter a ajuda de 2 colegas e foi bom ter lá estado. Conheci gente nova, ri-me outra vez e aprendi mais qualquer coisa, Isso é viajar.
Chegámos a Auschwitz, o objectivo da "expedicão". Se há sitios onde um guia tem a utilidade de um abajur no ártico durante os meses de Verão, já em Auschwitz ele é pura e simplesmente obrigatório. O que nos calhou era um apaixonado e estudioso do tema, há mais de 20 anos. E isso faz toda a diferenca.
Auschwitz tinha um campo militar polaco que depois da invasão foi aproveitado pelas SS para manter prisioneiros polacos (passou a ser Auschwitz  I). Mais tarde o campo foi ampliado para resolver a "questão Judaica" e surgiu assim Auschwitz  II, mais conhecido como Birkenau. A terceira parte do campo (Auschwitz  III) era um complexo fabril onde mão-de-obra escrava trabalhava na producão de químicos.
Todos ouvimos falar daquele campo, já vimos filmes e documentários mas, nada nos prepara para estar lá e ver.
Agora, que comeco a pensar em todos os detalhes que nos foram explicados, perdi a vontade de escrever.
Tudo aquilo é de uma violência e agressividade que não tinha espaco na era medieval, quanto mais há 70 anos...
Foi um gigantesco murro no estômago e a certeza de que deveria ser obrigatório, geracão após geracão, abrir as portas e colocar umas horas daquele percurso nos programas escolares. Só para que percebam que nada é garantido, nada do que conhecemos é certo ou eterno.
Aqueles anos ainda hoje inlfuenciam a nossa vida e as decisões de quem nos governa.
É bom aprender, perceber e fazer tudo para que a história jamais se repita.
Voltarei aos detalhes um dia destes. Por hoje já chega.



Ps - Este blogue será reformulado para tomar a forma de algo que se possa imprimir ou publicar. Quando perceber como fazer isso, digo qualquer coisa.

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Ora....onde é que eu estava?
No título talvez. Porque razão não queria Hitler a "solucão final" para a questão judaica? Há varias teorias sobre os campos de concentracão, uma delas chega pelo nosso guia, um estudioso da matéria desde a década de 90.
Segundo ele, na reunião onde todos os consultores de Hitler votaram na forma de "fazer desaparecer os judeus", apenas dois votaram contra os campos de concentracão...os próprios representantes de Hitler nessa reunião. Todos os demais, graduados das SS e políticos próximos dos centros de poder, votaram pela exterminacão. Hitler preferia uma solucão mais simples como enviá-los todos para Madagáscar. Contudo, não fez grande oposicão aos campos. Para Hitler, segundo a mesma teoria, era importante ter a máquina de propaganda a funcionar e mostrar o poder do império, os detalhes (como a forma de funcionamento dos campos) eram isso mesmo, detalhes. Ao que parece nem ele sabia muito bem tudo o que lá se passava. Era Himmler quem controlava as operacões.
Quando ouvi esta explicacão fiquei com uma ideia diferente de Hitler. Um imperador louco, certamente, mas talvez com menos ódio aos judeus do que eu imaginava.
Ver os fornos foi um momento que dificilmente esquecerei (ali em cima nas fotos). O carrinho de mão com a forma certa de um corpo é de uma crueldade que não consigo imaginar.
A forma como o campo estava dividido...ciganos, russos, judeus. A escolha de judeus para controlarem outros judeus dentro do campo. A luta pela sobrevivência. A imundice de um wc comunitário onde as doencas se espalhavam e, por isso, ser o sítio mais seguro de Birkenau, já que nenhum guarda se atrevia a entrar lá. As reuniões e trocas de mercado negro aconteciam aqui. Os presos que nesta zona trabalhavam ou morriam contagiados ou ganhavam imunidade para a vida.
As famosas câmaras de gás onde os prisioneiros pensavam que iam tomar banho e onde acabavam mortos, às dezenas de cada vez. Como moscas. O requinte de ver chuveiros lá dentro, sem qq ligacão para a água, para que todos acreditassem e não se revoltassem até que a luz se apagasse.
Quando os russos avancaram para Berlim e, sabendo de antemão que a guerra estava perdida, os nazis destruiram as câmaras de gás para evitar que os aliados as utilizassem contra presos alemães. No fundo...o que eles tinham feito aos prisioneiros russos.
Auschwitz-Birkenau é um soco no estômago e uma licão de vida. É obrigatório para percebermos onde estamos e de onde viémos.
Fico contente por lá ter ido e espero nunca mais voltar.

domingo, 11 de maio de 2014

Next stop: Séc. XX


Próximo destino: Auschwitz.
Com eles.
Relato para a semana.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Escócia, o relato
























Ouvi alguém dizer em tempos que "toda a beleza do mundo está reunida em Itália".
Não sei se isso será verdade, mas compreendo perfeitamente que não estará certamente amontoada no Reino Unido. Mas claro...depende daquilo que os nossos olhos identificam como belo.
Monumentos, edifícios com história, cidades imperiais...não, não é o Reino Unido. Já se o conceito de beleza for a Mãe natureza, os lagos, o mar, o verde, a montanha, bom, aí já mudamos o tom da conversa.
A beleza imperial de Inglaterra concentra-se em Londres, o mesmo acontece na Escócia com Edimburgo. É uma cidade (pequena) cujo centro está inscrito no património da Unesco. Basta chegar e olhar em redor para perceber porquê. Para quem gosta de visitar cidades moldadas pela história, Edimburgo é O ponto de passagem da Escócia. 
O imponente castelo que lá no alto vigia a cidade recebe, segundo contam, 1 milhão de visitantes por ano. Há catedrais, galerias, palácios, restaurantes a perder de vista, monumentos e tudo o que se espera de uma cidade "clássica" que se tornou cosmopolita. É bonita e interessante. Para mim uma agrádavel supresa.
Sentimento oposto com a maior cidade escocesa (apesar de não ser a capital), Glasgow. Vale a pena passar por lá se estiver no caminho...ir à Escócia para visitar Glasgow é um daqueles erros que nos acompanha para a vida. É uma cidade operária que alimenta o resto do país. Para o turista, sobra muito pouco. Aliás, Glasgow é uma espécie de retrato do Reino Unido & Rep. Irlanda: cidades feias, escuras e monótonas, sem cor, tal como o céu que as cobre. 3 países depois (Inglaterra, Escócia e Rep. Irlanda), e tirando o centro de Edimburgo e de Londres, é esta a minha ideia da arquitectura das ilhas...
Pode ser que mude de opinião depois de ver Belfast e Cardiff. Não, não pode nada...
Agora, pegar num carro e comecar a fugir do cimento, é toda uma outra história.
As Terras Altas (Highlands) são uma espécie de refúgio sagrado, inóspito e de uma beleza incrivelmente imaculada.
A Escócia tem um plano, ou melhor, um debate, sobre a exploracão das Terras Altas para conseguir alimentar o país com energia renovável (100%) lá para 2020. Há quem se oponha por defender a conservacão do território que é, afinal, a origem da Escócia.
Era aqui que existiam os clãs de que ouvimos falar nos filmes e que formaram a base das tradicões escocesas. Foi também daqui que partiram as revoltas contra as invasões inglesas e, alguns séculos e derrotas depois, a debandada para outras paragens, deixando as montanhas desertas, tal como se encontram hoje.
Percorrer a Escócia é cruzar com a história em cada referência a uma batalha, em cada castelo recuperado, em cada monumento a ex-combatentes. E como é interessante a história desta gente.
Um país que fala orgulhosamente da sua independência (terão um referendo em Setembro) mas que apenas tem um parlamento há 15 anos. Um país que brada pelos seus heróis (William Wallace ou Bruce, rei dos escoceses, etc) e que sublinha as vitórias contra a coroa inglesa na perseguicão da independência em pleno séc.XVII, mas que viu os seus nobres venderem o país aos ingleses, um século depois, por causa dos interesses mercantis nas colónias do Império. "Freedom" ficou bonito na boca do Mel Gibson. A realidade foi outra e, como descobriram mais tarde os colonos do MayFlower, "cash is king".
As terras altas, com os seus lagos, vales, gente simpática e ovelhas espalhadas por todo o lado, são a imagem da Escócia. A razão principal que justifica uma visita. O Loch Ness é apenas um entre muitos. A curiosidade deste lago, para além do mito, é a sua dimensão. Cerca de 50km e uma profundidade que daria para 5 aviões lado-a-lado. É muita água...
Que simpáticos são os escoceses. Muito, muito simpáticos. Perceber aquele sotaque é todo um projecto, mas ultrapassada essa fase, é sempre a ganhar.
Não posso dizer que a gastronomia seja de bradar aos céus. A ovelha, sem que isso seja propriamente surpreendente, entra em todos os pratos, do pequeno-almoco ao jantar. "Haggis" é o nome a decorar. Os ingredientes são de fechar os olhos, mas o sabor agradavel.
Por mais que veja, mais compreendo que um Português não pode viajar pela gastronomia...sinceramente não faz sentido. Não existe melhor, neste planeta, do que aquela que de tantas formas diferentes, é confeccionada de Sagres a Caminha, do Funchal a Ponta Delgada.
Itália e Franca aproximam-se. Brasil e Caribe também. Mas como no nosso cantinho, enfim, não existe.
Para um fã do James Bond como eu, foi um extra em forma de bónus, passar por cenários do Skyfall ou World is Not Enough. Aliás, se seguisse o roteiro do personagem de Ian Fleming, também não ficaria com uma ideia muito afastada do mundo real.
Nada que não me tivesse já cruzado os sonhos.
Gostei da Escócia, mas não consegui tirar uma foto com a Nessie. Fica para a próxima. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Porto, destino europeu do ano no concurso onde só portugueses votam...


Parece que a cidade do Porto venceu o prémio para o melhor destino europeu de 2014. Ora...por princípio gosto de toda e qualquer publicidade a Portugal. Tudo o que sirva para aumentar o fluxo de turistas, estamos aí.
Mas depois parei para pensar. E é isso que estraga sempre tudo.
Não sou grande coisa com a memória, mas tenho a vaga sensacão de estar sempre a ouvir Porto e Lisboa anunciados como vencedores destas coisas. Fui ver.
De facto, nos últimos 4 anos venceu o Porto (duas vezes), Lisboa e Istambul. Não sei qual é o portal de turismo em questão, mas fui averiguar um pouco mais. Temos que admitir que numa Europa tão grande e carregada de pontos de interesse, duas cidades portuguesas vencerem 3 em 4, vá lá, é pouco credível.
E esse é o meu busílis. Eu sou português, adoro o Porto (cidade) e amo Lisboa, mas também sou viajante e baseio as minhas pesquisas em relatos de outros viajantes e em muitas pesquisas feitas na net. Ou seja, por princípio confio nestas eleicões, nas escolhas, nas recomendacões. E honestamente, estas votacões cheiram a festival da cancão por todo o lado.
No top 10 deste ano aparecem Porto, Zagreb e Nicósia antes de Roma e Berlim, só para mencionar os mais óbvios e escandalosos.
Zagreb, que sendo uma cidade interessante e capital de um país, nem sequer é a mais marcante da Croácia, um país com uma costa fabulosa e cidades fortificadas do antigo império de Veneza. 
Compreendo que aqui e ali ganhe Lisboa ou Porto, senão, a votacão resumia-se a Londres ou Paris todos os anos, mas 3 em 4, é um verdadeiro embuste.
Se pudessem escolher uma só cidade na Europa qual seria? O Porto? Claro que não. E é isso que marca o melhor destino...aquele onde iriam se só pudessem visitar um. Repito, compreendo uma vitória, desconfio de 3 em 4 anos.
Na Europa estão Berlim, Istambul, Roma, Veneza, Paris, Londres, Barcelona, Amsterdão, Viena, Moscovo, Estocolmo, Copenhaga, Dubrovnik, Praga, Brugge, Zurique, Madrid (muito menos interessante que Barcelona, mas ainda assim...), as ilhas gregas, as ilhas italianas, a costa sul de Franca, os fjörds noruegueses...e querem-me convencer que em 4 votacões, Portugal vence 3?
Não faz sentido. 
Se trouxer mais turistas curiosos, óptimo, mas na parte que me toca, este é um portal que deixará de contar para a contabilidade.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Next Stop: a casa do Sean






Quando pensei neste hobby de dar a volta ao mundo, percebo isso agora, não contei com os imprevistos causados pelos conflitos sociais, étnicos e económicos. A ordem mundial não colabora comigo e isso faz-me pensar que devia ter arranjado outro hobby, fada-do-lar quem sabe.
Há 25 anos ir a Moscovo ou a Belgrado, representava conhecer as capitais de, respectivamente, URSS e Jugoslávia. Hoje esses territórios deram origem a mais de 25 países.
Corri todos os que resultaram da divisão da Jugoslávia e, quando cheguei ao fim, já um deles era 20% menor. Surgia o Kosovo.
Daqui a uns anos, aposto, a minoria Sérvia do Kosovo mistura-se com Albaneses que apreciam música country e, dentro de umas décadas, teremos um enclave sérvio-texano nos Balcãs. Ora...assim ninguém se entende e nunca mais cumpro a profecia de Willy Fog.
Mas enfim, há que ir tentando...
A próxima etapa será na Escócia. Um percurso que há muito quero fazer mas que por esta ou aquela razão, tem sido sempre adiado.
Edimburgo para a primeira "pint", daí, com volante à esquerda, para Stirling e o seu famoso castelo, onde os escoceses lutaram pela sua independência. "Freedooooooooooooooooooooom" disse Mel Gibson pintado de azul quando contou a história à sua maneira.
Próxima paragem em Skye, a maior ilha escocesa e daí para Inverness, em plenas terras altas, para uma visita ao monstro no lago Ness.
Conto também beber um scotch com o Sean Connery e perguntar-lhe porque razão entrou na catástrofe chamada "Never Say Never". Ou então vou só atirar uns pedacos de pão ao monstro. Logo se vê.
Escócia, até já.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Singapura, Malásia, Tailândia e Indonésia

















Esta viagem comecou, há muitos meses atrás, como tantas outras: uma promocão da Lufthansa.
É, quase sempre, o ponto de partida para as minhas voltas. Frankfurt para ser mais exacto. É aí que o mundo visto pelos olhos da Lufthansa acontece.
Depois de ver os dias errados no calendário e marcar a minha passagem, obrigado a quem me ajudou já agora, comecei a planear o percurso.
A ideia, como de costume, era simples. Visitar Singapura (era esse o ponto de chegada da promocão) e fugir um pouco do frio escandinavo por uns dias. Estava informado qb sobre o destino. Primeiríssimo mundo, muito organizado e limpo, seguro, com praias um pouco manhosas mas com algumas atraccões (entre as quais os Zoo em espaco aberto) que me interessavam conhecer.
Li um pouco mais e, tendo em conta a vizinhanca, achei que 5 dias numa cidade/país que em nada representa a realidade do Sudoeste asiático, seriam demais. Afinal, para ver coisas organizadas e limpas, vou à Suica, não ao outro lado do mundo.
Descobri uma low cost regional (Air Asia), que liga Singapura com o resto da Ásia. Uma espécie de Ryan Air mas em bom. Pelo custo de um jantar na Suécia, conseguia chegar a Langkawi, uma ilha  na costa oeste da Malásia. Resolvi então dividir os meus dias pelos dois destinos.
E em boa hora o fiz. Singapura é tudo aquilo que esperava. Skyline à lá Manhattan, transportes públicos impecáveis, custo de vida elevadíssimo, facilidade de comunicacão, um porto enorme comprovando a utilidade de hub marítimo da região, lojas, lojas e mais lojas. Um sítio onde qualquer europeu/americano passa uns dias sem se sentir fora de casa. Não fosse o clima equatorial com aqueles 30 graus e humidade galopante, e, estaríamos todos em casa. Afinal...o Starbucks e a Prada são iguais em todo o lado.
Saltei para a Malásia, mais precisamente Langkawi. Aí sim, já senti que estava no Sudoeste asiático. Barracas lado a lado com resorts. Boa praia, vendedores de rua, motas e carros a cairem de maduros. Restaurantes de luxo para turistas, restaurantes onde se viam apenas locais. O mesmo peixe em ambos, 10 vezes mais caro, como é óbvio, nos primeiros.
Gente simpática e sorridente. Mistura de cheiros e sabores. Mulheres de véu. Peixe na grelha com escamas. Morcegos aqui, macacos ali. Comunicacão muitas vezes feita por gestos. Sim, já estava onde imaginava. 
Resolvi alugar um carro e explorar a ilha. E que carro...tão podre, mas tão podre que em cada subida esperei por ver fumo no motor e seguir em modo Flinstone. Segui as recomendacões de quem o alugou e fiquei atento aos macacos na estrada. Subi a um teleférico lindíssimo (e alto como o raio!!) na companhia de um simpático casal indiano. A vista era deslumbrante e o dia, como em todos, carregado de nuvens. O clima seguiu uma precisão irritantemente impressionante. Sol de manhã, tromba de água a partir das 13h, nuvens até chegar a noite. Nunca falhou. A água até agradeci para suportar o calor, as nuvens é que me deram cabo das fotos...
Experimentei comida local e gostei. Continuo a achar que os paladares tailandeses são os melhores da região. Agora...aquela malta usa o picante como se fosse sal. Voltei com a boca desfeita. 
Gostei muito de Langkawi e senti-me sempre muito confortável. De dia ou de noite. No meu hotel ou entre os locais. Gosto de viajar assim.
Entretanto, e já que estava naquele mar fantástico (Andaman), pensei fazer um pouco de snorkeling. Reparei que algumas ilhas tailandesas estavam mesmo ali ao lado. O meu hotel oferecia um dia de snorkeling numa delas (Koh Lipe). 200 metros ao lado uma agência local oferecia o mesmo por metade do preco. Claro que segui os locais. Detesto esquemas papa-turista...
Parti de Langkawi num "speed-boat" que uma hora depois me colocou em Koh Lipe. Foi, sem sombra de dúvida, a viagem mais radical que fiz num barco. Metade do tempo era passado no ar e a outra metade a aguentar os solavancos criados pelas sucessivas colisões do casco com a água. Estava a ver em que altura o barco se partia em dois. Entretanto, algures neste processo, um dos motores comecou a soltar-se. A tripulacão, competente e com os meios necessários, sentou o mais gordo em cima do motor para aquilo se aguentar. Made in Malaysia. Top.
Koh Lipe foi uma extraordinária supresa. Uma ilha muito pequena que comeca agora a dar os primeiros passos com turistas. Praias óptimas, gente simpática, ambiente descontraído. Até demais, para quem vem com o chip europeu. São tão novos nisto que fazem do desenrascanco uma forma de arte.
Tinha comprado um pacote de snorkeling no lado da Malásia, com barco, equipamento e almoco incluido. Quando lá cheguei...não tinha nada. Mas tudo se arranjou. O rapaz da agência foi comprar um ananás, chateou não sei quantos donos de barcos até arranjar um que me levasse, tirou coletes de um lado, máscaras de outro, barbatanas daqui e bebidas dali. Depois de rapar uns quantos barcos, conseguiu meter tudo no mesmo e lá segui eu, com o meu guia para alto mar. O sol não colaborou mas os peixes estavam lá. E a água quente também. Enquanto os observava pensava: "porque é que não trouxe uma daquelas máquinas para fotografar debaixo de água???". Mas claro, para isso teria eu próprio de ser organizado e planear tudo como as pessoas. Portanto, em Koh Lipe, com uma Singha na mão e aquela areia fina, também estava em casa. 
Regressei a Langkawi no mesmo barco mas, desta vez, com um parafuso no lugar do gordo. Adormeci e acordei num dos saltos quando espetei as costas num pedaco de madeira. Pensei logo na reunião de designers antes da construcão o barco. "Epá...se vamos fazer uma barco onde o pessoal vai andar aos saltos, relevos pontiagudos de madeira atrás dos bancos parecem-me uma excelente ideia!!!" 
"Clap, clap, clap!!!", disseram os outros.
Despedi-me da Malásia e preparei-me para 12 horas em Singapura, até novo encontro com o fantástico A380 que em cerca de 13 horas de vôo me traria para Frankfurt. A propósito, para quem como eu tem terror de voar, a solucão são 3 xanax (2 já tentei) ou um A380. Aquilo não abana nem a tiro de canhão.
Estava um calor insuportavel em Singapura. Muitas horas para serem passadas entre cimento e lojas. Fui ver o amigo google maps e reparei que a sul de Singapura estavam umas quantas ilhas indonésias. Perguntei nas informacões do aeroporto como chegar lá. Indicaram-me dois portos de embarque. Duas estacões de metro e um autocarro depois estava no mais próximo. Tinha tempo para ir a duas delas. Uma era um resort de golfe, outra uma cidade normal. Escolhi, claro, a cidade cujo nome nem conseguia pronunciar e fui. Foi provavelmente uma das ideias mais estúpidas da minha vida. E sabe o Senhor que já tenho o meu rol de asneiras. 
A viagem de barco foi engracada, 2 horas em alto mar, numa espécie de catamaran. Paisagem sempre composta por verdejantes ilhotas.
Assim que desembarquei comecou o arrependimento. Tinha que pagar 10 USD para entrar.
Expliquei que só ia ficar umas horas e que não tinha USD, só cartão. Não aceitavam cartão. Já tinha 4 policias a falar comigo ao mesmo tempo. O mais desdentado disse: "go back to Singapore...arrrghhhh!!!".
Perguntei se podia pagar em rupias da Indonésia. Servia. Um deles disse que vinha comigo ao multibanco (não fosse eu querer fugir naquele paraíso). 150 000 rupias, disse o outro. Eh lá...isso são muitos zeros. Pedi à mulher polícia que tinha um iPhone que me deixasse ir ao google. Fiz a conversão de câmbio para ter a certeza que não iam todos jantar à minha conta. 30 minutos depois estava cá fora. Era como se estivesse a desmbarcar no Miratejo ("hiiiii...olha aí pá!!!", dizes tu que és do "Mira") mas em versão muito pior.

Estava completamente sozinho em aspecto. Em cada esquina, árvore ou banco estavam grupos de homens (mulheres nem pensar que aquilo é um país conservador!) que me tiravam as medidas. Um ofereceu ajuda (para quê??), 10 ofereceram táxi, 5 perguntaram de onde vinha, alguns acenavam do outro lado da estrada. E isto nos primeiros 100 metros. Segui a estratégia do costume. Disse não a toda e qualquer pessoa, de forma firme mas sem ser mal educado e nunca parei, dando a entender que sabia para onde ia. Quando cheguei à rua principal reparei que cada banco tinha um guarda na porta, o que é sempre uma excelente publicidade para o local. Entrei e perguntei onde podia comprar o bilhete para o barco de regresso.
Estava esganado de fome e não via nada que não fossem bancas de rua a vender rato espalmado em folhas de bambu. Uma simpática rapariga lá me indicou um sítio "muito famoso". Cheguei lá, desviando-me de buracos onde cabiam elefantes e deparei-me com um restaurante vazio com cerca de 8 empregados. Ninguém falava inglês e eu fiz aquele gesto dos italianos na direccão da boca. Convidaram-me a entrar na cozinha para escolher. Apontei para uns quantos pratos e para um coca-cola. Rebentei um pouco mais os lábios com aquelas malaguetas em estado líquido e usei a tijela de arroz para ensopar. Soube-me pela vida. Aqui, tal como na Malásia, come-se com as mãos. Na melhor das hipóteses chegam, à mesa, um garfo e uma colher. Não foi fácil partir frango e tirar as escamas do peixe nestes dias só com garfo e colher, mas, não passei fome nem perdi as licões de etiqueta que tanto trabalho deram a quem me tentou educar.
Regressei da Indonésia real com a sensacão que devia ter feito como os outros e esperado pelo Bali...que pardieiro.
Mas, enganos à parte, adorei estes dias e o percurso que se foi desenhando. Fiquei fã da região e com muita vontade de voltar para um percurso que inclua o Mianmar, a Tailândia e o Cambodja.
Alguém escreveu (ou disse) que a vida é como um livro e que, quem não viaja, nunca passa da primeira página.
Resume o que me vai na alma.